4 de março de 2012

A inevitável música de hoje - Por aí


lembra de quando amanhecemos com a luz acesa
nos papos mais estranhos sonhando de verdade
salvar a humanidade ao redor da mesa

sábias frases, ilusões sem fim
ying, jung, i ching e outras cabalas
procurando deus entre as folhagens do jardim

que tolos fomos nós, que bom que foi assim 
que achamos um lugar pra ter razão
distantes de quem pensa que o melhor da vida
é uma estrada estreita e feita de cobiça
que nunca vai passar por aqui

lembra de longas primaveras de andar pela cidade
saudando novas eras sonhando com certeza
salvar a natureza ao final da tarde

cegas crenças, lixo oriental
ying, jung, i ching e outras balelas
procurando deus entre as macegas do quintal

seremos sempre assim, sempre que precisar
seremos sempre quem teve coragem
de errar pelo caminho e de encontrar saída
no céu do labirinto que é pensar na vida
e que sempre vai passar por aí

auras, carmas, drogas siderais
ying, jung, i ching e outras viagens
procurando deus entre o delírio dos mortais

seremos sempre assim, sempre que precisar
seremos sempre quem teve coragem
de errar pelo caminho e de encontar saída
no céu do labirinto que é pensar na vida
e que sempre vai passar, e sempre vai passar 
sempre vai passar por aí...

[Por aí - Affonsinho]

29 de fevereiro de 2012

blá blá blá... opiniões.



Opiniões.
As pessoas estão cheias delas.
E eu estou cheio delas.
Delas e das pessoas.
(…)

Os Funerais do Coelho Branco 

Não existe amor em SP





Os bares estão cheios
De almas tão vazias,
A ganância vibra, a vaidade excita.
Devolva minha vida e morra 
Afogada em seu próprio mar de fel..
Aqui ninguém vai pro céu.
— Criolo em Não existe amor em SP

A inevitável música de hoje


Admito que Perdi

Paulinho Moska

Se você não suporta mais tanta realidade
Se tudo tanto faz, nada tem finalidade
Então pra quê viver comigo?

Eu não vou ficar pra ver nossa ponte incendiada
Nossa igreja destruída, nossa estrada rachada
Pela grande explosão que pode acontecer no nosso abrigo

Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles, deixam de existir
Lutei por sua alma, mas admito que perdi

E agora vou me perder nesse planeta conhecido
Intuir novos mistérios que ficaram escondidos
Naquelas palavras marcadas na sua carta de Adeus

Meu corpo vai sobreviver mesmo estando ferido
E até na hora de morrer eu não vou me dar por vencido
Porque sei que meus perdões vão estar bem ao lado dos teus

Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles, deixam de existir
Lutei por sua alma, mas admito que perdi...

23 de fevereiro de 2012

O Salto



Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte – quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo – o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.
Antônio Prata.

12 de fevereiro de 2012

Vamos viver tudo que há pra viver...


"Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito."

-Millôr Fernandes 

11 de fevereiro de 2012

Amigos


"Um amigo não racha apenas a gasolina. 
Racha lembranças, 
crises de choro, experiências. 
Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém."
Martha Medeiros

9 de fevereiro de 2012



A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o 


que morre dentro de nós enquanto vivemos.



by Pablo Picasso

7 de fevereiro de 2012

Equilibrista


“Você tem de ser equilibrista até o fim da vida.”—(Clarice Lispector)


"Apenas desejo intensamente que você não avance demais para não cair do outro lado.Você tem de ser equilibrista até o fim da vida. E suando muito, apertando o cabo da sombrinha aberta, com medo de cair, olhando a distância do arame já percorrido e do arame a percorrer — e sempre tendo de exibir para o público um falso sorriso de calma e facilidade. Tem de fazer isso todos os dias, para os outros, como se na vida não tivesse feito outra coisa, para você como se fosse sempre a primeira vez, e a mais perigosa. Do contrário seu número será um fracasso."
(Fernando Sabino para Clarice Lispector)

9 de janeiro de 2012

A gente aprende...


Depois que virei gente grande, descobri, com lucidez embaraçosa, que alguns amores se afastam do nosso alcance igualzinho ao que acontecia com aqueles balões que vi se distanciarem cada vez mais, cada vez mais, cada vez mais. No início, a gente caminha todo prosa, um pé de vida florido, pontinha do sonho amarrada ao pedaço de linha que se chama esperança. Planos de jardim com girassóis, filho contente, cachorro, horta, rede na varanda, e aquela mão segurando a nossa, estrada afora. De repente, começa a ventar o vento que tira os sonhos do lugar, que faz o fio da linha se desprender do dedo, que recolhe a ponte e deixa o abismo. Um vento soprado pela desatenção, o descuido letal para os balões e os amores.
Há um momento sem sol em que a gente percebe que o amor anoiteceu. O coração enxovalhado, ferido, está exaurido pela aflição de tanto esticar-se para tentar alcançar o fio da linha que se soltou e amarrá-lo de novo na pontinha dos sonhos. No fundo, ele sabe que não o alcançará: voa longe demais da possibilidade de alcance. Se ainda insiste, buscando impulso para pulos cansados, é porque aquele amor, exatamente aquele, ainda é tudo o que ele mais deseja. Porque não sabe onde colocará as mãos, o encanto, o olhar, depois daquele instante. Porque não lhe importa que outro amor venha ao seu encontro. É aquele, aquele lá, que ainda o descompassa.

Ana Jacomo

27 de dezembro de 2011



Você vai me olhar, me julgar, tirar conclusões precipitadas, mas ainda assim não vai me conhecer.   
Eminem

Quem rouba seus lápis de cor?



Tenho uma amiga que quando percebe que eu estou triste costuma me perguntar quem roubou a minha caixa de lápis de cor. Tem vez que nem pergunta, apenas comenta: "poxa, dessa vez levaram as cores que você mais gosta!" A tristeza afrouxa um pouco, por mais que eu esteja chateada. Primeiro, porque é muito bom a gente se sentir olhado com carinho. Depois, porque essa expressão tem uma inocência capaz de fazer gente grande tocar em coisas sérias sem ficar com medo de queimar a mão.
De vez em quando, ao ouvir a pergunta, acontece de uma lágrima ou outra escapulir, afeitos que alguns sentimento são a desaguar no rosto quando o coração fica apertado. Mas, algumas vezes, quando eu choro diante dessa indagação não é pelas cores que não encontro na caixa nem por lembrar de quem supostamente as roubou. Choro por perceber que ainda dou aos outros o poder de roubá-las. Por notar que, no fim das contas, quem rouba os meus lápis de cor preferidos sou eu.


Ana Jácomo

21 de dezembro de 2011

A Vida...


Desvendando os mistérios da vida...


"Às vezes estou por cima, às vezes estou por baixo. 
Mas estou sempre por alguma coisa.
Por alguém. Por aí."

[Gabito Nunes] 

4 de dezembro de 2011

doi...



Essa é só uma fase rasurada, uma dor que não acabou de doer.
 E mais nada.


[Marla de Queiroz]